11.7.11

NOSTALGIA OI, OI

Minha versão de Anarquia Oi dos Garotos Podres no fim de semana foi na verdade um Nostalgia Oi.
Sábado saí com minha sissy e fomos, pra variar, no Cavernas...

Gente, o que aconteceu? Onde estão as pessoas que eu conhecia? Onde está aquela galera, o pessoal de sempre, aquele que todo mundo se conhece e é 'chegado'?

O que eu vi foi um bando de undergrounds wannabe, panelinhas, grupinhos separados e garotas de meia arrastão, camiseta customizada pra ficar mais rocker e saia Planet Girls, galerinha nova saindo do banheiro com algum problema sério de rinite.

O que eu vi foi um bando de revoltadinhos e as bandas, sei lá, algo que considerei meloso demais pro lugar, naquele bar já bati cabeça demais e no dia seguinte além de lidar com a ressaca por ficar misturando cervejas e não ter comido nada antes de beber até o fígado gritar, tinha que lidar com uma dor no pescoço duzinferno...

Se bem que né, quem sou eu pra falar alguma coisa? Sempre fui meio que uma outsider, alguém que nunca sentiu que realmente deveria estar lá. Talvez por ser muito quieta (aí gente que me conhece se pergunta: quieta?) e não conhecer tanto tudo aquilo que tocava e de certa forma até achar um tanto idiota da parte de quem conhecia tudo... Eu sempre me considerei uma intrusa lá, eu sempre fui a amiga de alguém, a namorada de alguém, enfim... nunca fui eu...

Aí paro pra pensar e lembro que eu já fui eu nessa cena, foi nessa cena que nasceu a Lilly Monster, apelido que carregava e me orgulho até hoje e que agora parando pra pensar, quando eu ligava pra alguém e falava: é a Marcela, perguntavam Marcela quem e eu respondia Lilly e aí sabiam quem era... aí lembro de onde vem esse problema de pensar que eu nunca fui eu lá... é que simplesmente eu sou meio que uma antiguidade. Quando eu comecei a ir nesse bar, eu já não era mais a Lilly Monster, simplesmente porque meu tempo já tinha passado. Eu fui eu nessa cena muito nova e muito cedo e aí quando todo mundo saía junto eu já não saía mais, eu já não curtia mais tanto assim. Quando os amigos que tenho e que todo mundo de lá conhece passavam as sextas e sábados lá, eu já estava em outra, eu já não mais curtia me vestir toda de preto, eu ia pra festinhas que aquele pessoal nunca iria, eu ia em festinhas gay por causa da música e a galera 'do metal' nunca passaria nem perto...

Aí percebi que sempre fui assim... talvez por mudar tanto de colégio a vida toda eu tinha (eu tenho) dificuldades em me manter em algum grupo, sempre fui pulando de galho em galho mas não porque meus amigos mudavam de grupo, mas eu mudava de grupo e de amigos. Hoje considero que não teho muitos amigos, mas tenho... o grande problema é que não dá pra sair com todos ao mesmo tempo, porque uns não gostam do que os outros gostam e pior - não aceitam... Um simples fim de semana na cidade que meus amigos moram não da certo e acabo ficando em casa porque eu não me encaixo...

E sinto falta de tudo e sinto falta de todos mas apesar de gostar de ser quem sou e gostar de tudo que gosto e gostar de ser essa nuvem que vai onde o vento me leva, não gosto de estar sempre meio que sozinha porque não me encaixo e não consigo me adaptar...

Percebendo isso tudo num sábado a noite, pareceu tudo muito mais complicado do que realmente é, tenho saudade de tanta coisa mas é porque já vivi tanta coisa, já estive em tantos lugares e já conheci tantas pessoas, que hoje nada é muito simples, mesmo sabendo que muito disso é coisa da minha cabeça doente, eu queria muito um dia com meus amigos todos em um lugar só. Meu amigo que ama sertenejo e odeia heavy metal com minha amiga que sabe dizer de que estilista é aquela roupa e sabe cantar todas as músicas da Madonna com meu amigo gay que fazia curso de roteiro e direção cinematográfica comigo e que passa tanta pomada no cabelo que nem sei se ele sabe como é o cabelo sem pomada com minha amiga que curte um rasqueado e meu amigo que ama basquete e anda cantando música dos Racionais pelas ruas com meu amigo que adora rave e minha amiga que gosta de ficar reparando e gongando as roupas dos outros com minha sissy que é tatuadora e ama o underground e meu amigo que jura que é um extraterrestre e que tem uma missão que é reunir os escolhidos pra povoar o novo planeta que vai substituir a Terra e minha amiga que é obsecada com o assunto casamento e que se beija alguém no domingo, na segunda já está fazendo o enxoval e escolhendo o nome dos filhos... Não vou conseguir isso nunca né!

Sei lá, eu só acho que mudo demais e um dia de nostalgia é um dia que fico pensando até a cabeça explodir pra tentar definir o que gosto mas sempre chego no fim com uma dor de cabeça infernal e sem definir nada porque simplesmente gosto de tudo.

E como acabo com a nostalgia se o que sinto falta é de tudo?
E acho que no fundo eu não sou nada e não me encaixo porque eu sou eu e acho que isso basta

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