24.11.08

SONETO DE PERDA

Sinto falta da loucura
Dos dias lunáticos sem lua
Sentindo a vida que era pura
Sendo jogada no meio da rua

Rua da cidade que não morre
Vampira noite me namore
O negro manto da normalidade
Me diga onde fica a verdade

Praça cheia tocos de cigarro
Um trabalho aqui e mais um sarro
Chegou a hora de perder

Perder a pureza que eu tinha
O medo que eu sentia
Com aquele louco que não tinha o que temer

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Não sei se já postei isso aqui mas hoje estou meio nostalgica...
Lembrando de coisas que aconteceram ha mais de dez anos atrás como se fosse hoje, lembrando de quando eu cantava e amava isso, me dedicava a alguma coisa, queria ser sempre melhor e de fato era...
(não, não estou me achando mas já ouvi as pessoas falando de mim e resolvi acreditar... só agora)
Lembrando de um dia em que nada aconteceu mas mesmo assim foi um dia importante pra mim...
O dia em que resolvi tomar a iniciativa de alguma coisa, fui atras do que eu queria, fiz uma tatuagem, fiquei horas conversando sobre Pink Floyd com um cara que conheci aquele dia e no final, descendo as escadas ganhei um beijo...
Acho que naquele dia eu perdi todo medo que eu tinha de ousar, de fazer o que eu queria...

Anos depois penso que tenho que voltar àquele dia...
Já faz quase onze anos e muita coisa aconteceu...
Deixei aquela pessoa que tinha medo voltar
Deixei de querer ousar
Deixei de cantar, que era a coisa que mais amava (e que até hoje mais amo)

Não sei bem porque...
Sei mas não toco nesse assunto ha muito tempo, nem na terapia
Só sei que hoje me deu vontade de voltar
E pra comemorar nem que seja só a lembrança, vou ali, cantar um pouco...

Isso eu escrevi em Curitiba, numa noite regada a uísque, se não me engano a última noite da oficina de música...
Não, também nunca vou me esquecer daquele palco...

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