31.7.06

O CARA

Sim, era ele, ele, o cara!
O cara que me fez pensar em estar velha, porém cheia de botox, ao lado dele, ouvindo mais uma vez um cd do Pink Floyd enquanto discutimos sobre a juventude que ficou perdida em algum bar da cidade.
O cara que me fez pensar em um dia, talvez, quem sabe, ter um filho, ou melhor, uma filha chamada Catarina que aos doze anos me obrigaria a pagar uma escova definitiva mesmo sendo eu avessa à ditadura da chapinha.
O cara que me fez pensar em um dia sentar no sofá da sala de um casal de amigos, os homens bebendo cerveja, as mulheres espalhando palitos em uma porção de azeitonas verdes com ovos de codorna (eca, odeio ovo), os homens rindo da minha cara de nojo ao olhar pros ovos e minha amiga indo à cozinha pra tirar a pizza das crianças do forno. As crianças no quarto discutindo a roupa da cantora do momento.
O cara que me fez pensar em acordar de madrugada só pra vê-lo dormir, relembrando as noites que não dormimos e depois vê-lo acordar, com a cara amassada, a barba grisalha por fazer, remela nos olhos mas que ao olhar pra mim, terá a mesma certeza que eu terei... eu o amo até quando ele acaba de acordar.
O cara que me fez pensar em ter uma casa de campo, com móveis antigos, revistas velhas e chás de camomila. Uma casa de madeira que range com o vento.
O cara que me fez pensar em coisas que já passaram há muito tempo e que por mais doloroso que tenha sido, sei que não dói mais tanto assim.
O cara que ao mesmo tempo me completa mas me deixa incompleta...
O cara que não quero, não agora, mas que eu não quero esquecer!
O cara que eu criei juntando pedaços de vários caras...

Esse cara... não existe!

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