Um dia eu conheci alguém... quando não era pra conhecer... tinha acabado de sair de um relacionamento cheio de sexo e chateações e queria ficar sozinha...
Mas o conheci... ele era tão bobo, tão tonto, tão criança... e tão sem cerimônias pra mandar tudo e todos pr'aquele lugar!
Me fez rir... coisa que eu não fazia muito no último ano...
Me fez me sentir querida, adorada... tanto que eu fiz de palhaço aquele pobre coitado!
Pobre coitado? É... chato pensar assim... mas é assim que penso nele... que não conseguiu se safar da minha necessidade de comandar, de dizer o que é certo e errado e de mudar.. não mudar o meu jeito, mas mudar o jeito da pessoa...
Em pouco tempo comecei os "ajustes"...
Não dirija como um louco!
Não corte seu cabelo assim nunca mais!
Não faça filosofia, faça direito!
Não viva às custas de ninguém, procure um emprego!
Não seja um rato de academia!
Não fale assim comigo!
Não use essa roupa!
Não pense!
Não respire!
Não viva!
E quando vi.... ele era um pobre coitado... uma marionete criada por mim!
E comecei a odiar e a jogar na cara que ele tinha mudado muito de quando o conheci!
Cadê aquele cara que dirijia correndo demais e entrando em contra-mão?
Cadê aquele corte de cabelo que o fazia parecer um louco?
Cadê aquele cara que gostava de pensar e filosofar? O futuro advogado engoliu?
Cadê o cara que me dizia que não podia ir ao cinema porque brigou com o pai por causa de cinco reais?
Cadê aquele cara que ia pra academia todos os dias e ficava suando pelo menos umas três horas?
Cadê aquele cara que me chamava de gostosona na frente da minha família?
Cadê aquele cara que conseguia usar bermuda verde de nylon com camisa mostarda e tênis preto e amarelo?
Cadê aquele cara que pensava que o número oito lembrava a cor azul?
Cadê aquele cara que respirava no meu cangote me levando à loucura?
Cadê aquele cara que vivia loucamente?
É...eu sei cadê esse cara! Está enterrado... só deixou o corpo, que foi ocupado por algo que eu criei!
Ele nem pensar conseguia sem mim!
E fiz a besteira de mesmo estando profundamente infeliz ao lado daquela montagem, continuar...
Dividir a cama, os problemas, as contas a pagar....
De tanto eu querer transformar o sapo num príncipe, transformei uma pessoa numa personagem!
E tudo acabou! Com minhas traições (eu precisava de alguém que tivesse opiniões próprias), com minhas chateações (aquela persona me irritava muito!) e com meus toques nada sutis informando que ele já não era nada! Sem ver que fui eu quem criou aquele "nada"!!!
E me lembrei de algo que minha mãe disse:
"Minha filha, nunca tente mudar um homem! Eu fiz isso e você sabe no que deu! Você gosta de pessoa pelo que a pessoa é, e se você mudar o que ela é, essa pessoa será uma extensão sua, uma cria sua, e nunca a pessoa por quem você se apaixonou."
E fiz o inevitável!
Deixei aquela casca, deixei aquele ser sem personalidade pra outra pessoa remodelar!
E o deixei por alguém exatamente como ele era...
Tonto, louco, divertido!
E depois desse alguém vieram outros alguéns...
Mas agora eu prefiro aceitar a pessoa como ela é!
Com todos os defeitos e todas as qualidades!
Aceito até mesmo lapsos de caráter, crises existenciais e saias-justas!
Mas eu aceito porque sei, e fiquei sabendo da pior forma, que o que me atrai é uma boa personalidade!
Agora eu aceito muitas coisas...e por mais que eu não goste do cabelo, das roupas, das músicas que a pessoa gosta.... eu gosto do que esse ser me faz sentir!
Feliz, radiante, bem amada, viva!
5.7.06
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Um comentário:
é Mar.. mudar as pessoas é complicado. pior quando você as "descarta".
mas vc vai encontrar a pessoa certa, sem mudar nada :)
beijão ;****
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